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Outubro Rosa
out 2026
Outubro rosa: o que as empresas têm a ver com isso?
Thalita Rocha

No último boletim publicado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados aproximadamente 79 mil casos novos de câncer de mama por ano no Brasil em cada ano do triênio 2026-2028, o que corresponde a uma taxa bruta de incidência de 71,57 a cada 100 mil mulheres. Esses dados alarmantes evidenciam o câncer de mama como um importante problema de saúde pública no país.

Em contrapartida, a participação das mulheres no mercado de trabalho vem aumentando nos últimos anos. Um boletim do próprio ministério do trabalho e emprego, baseado em dados da PNAD, aponta que a participação feminina na força de trabalho passou de 51,9% em 2012 para 52,8% em 2024. Na área em que atuo, o atendimento ao cliente, as mulheres são maioria: segundo o Sintelmark, em 2024, a força de trabalho feminino representava 70% do setor.

Mas afinal, como as empresas têm olhado para esses dados e, sobretudo, como têm atuado diante de uma realidade que, embora seja de interesse público, atravessa diretamente a vida das trabalhadoras e do ambiente profissional como um todo? Atuando na gestão de pessoas, vejo, na intersecção desses números, não apenas um grande desafio, mas também uma oportunidade de atuar de forma mais estratégica e responsável, reconhecendo que questões sociais não se encerram fora dos muros das organizações.

Com a presença significativa cada vez maior das mulheres no mercado de trabalho, o Outubro Rosa passa a representar uma oportunidade para que as empresas saiam do discurso e reforcem ações que realmente contribuam para a saúde e bem-estar de suas colaboradoras. Ações de RH são mais do que importantes, elas têm o poder de alcançar espaços que muitas vezes não são percebidos. Uma campanha interna, por exemplo, pode ajudar a despertar a consciência de mulheres que, por medo, falta de informação ou pela sensação de que “isso nunca vai acontecer comigo”, acabam negligenciando o autoexame das mamas, por exemplo.
Thalita Rocha, Gerente de Comunicação e Pessoas

Com a presença significativa cada vez maior das mulheres no mercado de trabalho, o Outubro Rosa  passa a representar uma oportunidade para que as empresas saiam do discurso e reforcem ações que realmente contribuam para a saúde e bem-estar de suas colaboradoras. Ações de RH são mais do que importantes, elas têm o poder de alcançar espaços que muitas vezes não são percebidos. Uma campanha interna, por exemplo, pode ajudar a despertar a consciência de mulheres que, por medo, falta de informação ou pela sensação de que “isso nunca vai acontecer comigo”, acabam negligenciando o autoexame das mamas, por exemplo.

Ações como colaboradores vestidos de rosa, disponibilização de conteúdos informativos em banners e canais internos, newsletters, palestras, rodas de conversa, e programas de saúde corporativa, podem contribuir para ampliar a consciência dessas mulheres e consequentemente estimular a prevenção e a descoberta precoce da doença. Dados do INCA afirmam que o diagnóstico precoce aumenta a sobrevida em comparação com o diagnóstico de tumores em estágio avançado.

Entretanto, o papel das empresas não termina na conscientização. Existe uma segunda dimensão, ainda mais delicada: apoiar a mulher que já recebeu o diagnóstico. Oferecer acolhimento e condições adequadas de trabalho para funcionárias que enfrentam o câncer de mama é um dos maiores desafios para a gestão de pessoas. A empresa precisa considerar que o tratamento da doença pode incluir procedimentos que podem provocar efeitos físicos e emocionais importantes.

A fadiga, as dores e os efeitos colaterais podem alterar a imagem corporal, e o impacto sobre a autoestima podem transformar profundamente a rotina dessas mulheres. Em muitos casos, a vida que existia antes do diagnóstico parece sofrer uma ruptura. Esse cenário traz uma questão fundamental para o RH: A empresa está preparada para uma mulher saudável que trabalha, mas também para uma mulher que trabalha enquanto enfrenta um câncer? 

Mais do que promover campanhas, cabe às organizações construírem uma cultura de cuidado que permaneça presente quando o Outubro Rosa termina. É importante que o entorno seja ensinado a acolher mulheres que passam pela doença. A organização ganha a oportunidade de não apenas promover campanhas, mas construir uma cultura organizacional que permita que a mulher se sinta amparada antes, durante e depois do diagnóstico.

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