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Visibilidade Trans
jan 2026
A diversidade constrói empresas melhores
Theo Guiga

A construção de ambientes de trabalho diversos e inclusivos deixou de ser apenas uma diretriz ética e passou a ser um elemento estratégico para empresas que desejam crescer de forma sustentável. A visibilidade trans, nesse contexto, não se limita ao reconhecimento simbólico de identidades, mas se materializa em práticas concretas de contratação, desenvolvimento profissional e construção de planos de carreira que garantam oportunidades reais de crescimento.

Pessoas trans ainda enfrentam barreiras estruturais significativas para acessar o mercado formal de trabalho e, principalmente, para permanecer e evoluir dentro das organizações. Dados recentes demonstram que essa exclusão não é pontual, mas sistêmica. Um estudo publicado em 2025 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelou que apenas cerca de 25% das pessoas trans no Brasil estão inseridas no emprego formal assalariado. Esse número evidencia a desigualdade histórica, mas também apontam para uma oportunidade concreta de transformação dentro das empresas que escolhem atuar de forma estruturada e responsável.

Nesse cenário, a contratação de pessoas trans deve ser compreendida como parte de uma estratégia mais ampla de gestão de talentos. Processos seletivos inclusivos, revisão de práticas de recrutamento, capacitação de equipes de RH e líderes para lidar com vieses inconscientes e adaptação de políticas internas são passos fundamentais para garantir que a diversidade não seja apenas declarada, mas efetivamente vivida no dia a dia organizacional.
Theo Guiga, Supervisor de Treinamento

Ambientes corporativos que comunicam, de forma clara e consistente, seu compromisso com a inclusão tendem a ampliar o acesso a talentos altamente qualificados, o que fortalece sua capacidade de inovação e competitividade. No entanto, a visibilidade não se sustenta apenas na entrada de novos profissionais. Ela se consolida no desenvolvimento de trajetórias. 

A ausência de pessoas trans em posições de liderança e decisão ainda é um desafio relevante no cenário corporativo global. Pesquisas recentes sobre inclusão no ambiente de trabalho mostram que grande parte dos profissionais trans e não binários não se reconhece nos espaços de poder e gestão, o que impacta diretamente sua perspectiva de crescimento e permanência nas organizações. Um estudo publicado em 2025 na plataforma SSRN indica que mais de 70% dos profissionais trans entrevistados relatam a ausência de representatividade e falta de apoio institucional estruturado para o desenvolvimento de carreira.

Diante disso, políticas corporativas de diversidade precisam avançar para além da contratação e incorporar estratégias claras de desenvolvimento, como programas de mentoria, acompanhamento de carreira, critérios objetivos de promoção e inclusão de indicadores de diversidade nos processos de gestão de desempenho e sucessão.

Essas práticas não apenas fortalecem trajetórias individuais, mas transformam a cultura organizacional, criando ambientes mais seguros, colaborativos e produtivos. Diversidade, quando tratada de forma estruturada, amplia perspectivas, fortalece equipes e melhora a capacidade da empresa de compreender realidades diversas.

Promover a inclusão de pessoas trans por meio de oportunidades reais de contratação e desenvolvimento de carreira não é apenas uma ação de impacto social, mas uma escolha estratégica de gestão de pessoas. É nesse equilíbrio entre valor humano e valor organizacional que a diversidade se transforma em diferencial competitivo.

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