Nos últimos anos, o ambiente digital acelerou significativamente a necessidade de ampliar a frequência e a sofisticação das técnicas de planejamento de cenários. Atualmente, a tecnologia permite às empresas acompanhar tendências de mercado com muito mais agilidade e assertividade. Se, no passado, era possível trabalhar com simulações de cenários em uma frequência mensal, hoje, diante da velocidade das transformações, essas análises precisam ser realizadas de forma muito mais dinâmica, em alguns casos, praticamente em tempo real.
Nesse contexto, a inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de inovação e passou a ocupar um papel cada vez mais estratégico na gestão financeira. Para os CFOs, isso significa não apenas automatizar processos, mas também utilizar a tecnologia para apoiar decisões, antecipar cenários, identificar oportunidades e gerar valor para o negócio.
De acordo com a pesquisa da Deloitte, Finance Trends 2026: Navigating the expanded scope of finance, mais de um terço dos CFOs pesquisados (37%) afirma já gerar valor claro e mensurável a partir de investimentos em IA, em comparação com 17% entre os demais respondentes. Além disso, 48% dos CFOs afirmam ter integrado completamente agentes de IA a áreas específicas da função financeira, ante 18% entre os demais profissionais.
Esse movimento mostra que a discussão sobre inteligência artificial já não está restrita às áreas de tecnologia. Ela também faz parte da agenda financeira, especialmente porque a capacidade de processar grandes volumes de dados, identificar padrões e produzir análises com maior velocidade pode transformar a forma como as empresas planejam e tomam decisões.
Além da redução potencial de custos, a tecnologia pode apoiar a resolução de casos mais complexos por meio de interações mais naturais e da integração e orquestração de diferentes sistemas. Na prática, isso significa uma operação mais ágil, capaz de direcionar recursos de forma mais eficiente e, consequentemente, gerar impactos positivos nos resultados financeiros.
No cenário em que atuo, percebo a inteligência artificial sendo aplicada em diferentes camadas da operação, contribuindo para reduzir despesas operacionais e, ao mesmo tempo, aumentar a velocidade e a precisão dos processos. Essa transformação também permite que as equipes deixem de concentrar tempo em atividades mais repetitivas e operacionais para se dedicar a demandas de maior valor agregado e mais relacionadas ao futuro do negócio.
Para o CFO, portanto, a IA representa uma mudança que vai além da eficiência. Trata-se de uma nova forma de conectar dados, operação e estratégia, permitindo que decisões financeiras sejam tomadas com mais rapidez e embasamento. Quando implementada de maneira estruturada, com objetivos claros e acompanhamento dos resultados, a tecnologia pode não apenas acelerar processos, mas também ampliar a capacidade da empresa de gerar valor e responder às mudanças do mercado.